O homem do Chapéu (II)

O chapéu tinha desaparecido – as pedras da calçada segredavam desgraças e as velhas enchiam as mãos de sal grosso, as casas de incensos e as bocas de razão.

Uma cabeça livre de enquadramento chapelar era uma afronta em quase todas as esquinas da cidade. Ali era costume gostar-se de liberdades quadradas … Ou comodamente circulares. 

Já não queria saber de geometrias. Nem das velhas. Muito menos das geometrias da repressão. 

Os ventos, esses, não se apresentavam absolutos – eram por isso bem-vindos.

 

Foto: © Rodney Smith 
Lara Longlechapéu, vento