O homem do Chapéu (I)

Já não se lembrava para que serviam as flores, a delicadeza ou os abraços. O maior dos roubos sofridos era o da ternura. 
Era muito betão, barulho e bajuladores. Decorou o cheiro do lixo e da ausência e aprendeu a calar-se. Esvaziou-se.
O chapéu, esse, abandonado a um canto. Tal como a leveza. 
Chamavam o nome pelo horário. O pensamento pelo tom. E tudo - sempre tudo - um privilégio.
Ouvia os brindes vindos do meio do lodo.

 

Foto: © Rodney Smith 

Lara Longlechapéu, barulho